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Dr. João Carlos Donadussi

Excesso de vitamina D: sintomas, riscos e por que a dose depende do exame

Corrigir a falta é uma coisa; empilhar dose é outra. A vitamina D fica guardada no corpo — e, em excesso, quem sente é o rim.

Conteúdo informativo · Atualizado em setembro de 2026

O excesso de vitamina D acontece quase sempre por suplemento, não por sol nem por alimentação. A vitamina D é lipossolúvel — dissolve-se em gordura, não em água —, fica guardada no tecido adiposo e no fígado e não é eliminada na urina como as vitaminas do complexo B e a vitamina C. Dose alta tomada por meses se acumula. Quando o nível no sangue passa muito da faixa considerada segura, o cálcio sobe e os rins são os primeiros a sentir. A falta de vitamina D também existe, importa e merece correção; a diferença entre corrigir e empilhar dose está em um exame.

Excesso de vitamina D: como acontece?

Existem dois grupos de vitaminas. As hidrossolúveis (complexo B e vitamina C) circulam na água do corpo: o que sobra sai na urina em poucas horas. As lipossolúveis (A, D, E e K) se dissolvem em gordura e ficam armazenadas. A vitamina D pertence ao segundo grupo — e é isso que muda tudo: o que você toma hoje ainda está no corpo semanas depois.

O sol não intoxica: a pele regula a própria produção e reduz a fabricação quando há o suficiente. A alimentação também não chega perto: peixes gordos, gema e leite fortificado oferecem pouco. O excesso vem de suplemento, e o caminho mais comum não é uma dose absurda de uma vez, e sim a soma: gotas diárias, um comprimido de dose alta semanal ou mensal, um polivitamínico e um suplemento de cálcio que também traz vitamina D — durante anos, sem repetir o exame. Erros de dosagem em fórmulas manipuladas são raros, mas já foram descritos.

O que eu vejo em décadas de consultório é a mesma cena: a pessoa toma "a vitamina D forte" há três anos, não lembra a dose e nunca mediu de novo. Não é descuido: é que a informação de que ela se acumula raramente chega junto com o frasco.

Quais são os sintomas de excesso de vitamina D?

A vitamina D em excesso aumenta a absorção de cálcio no intestino e a liberação de cálcio dos ossos. O resultado é a hipercalcemia — cálcio alto no sangue —, e é ela que produz os sintomas:

  • Náusea, vômito, falta de apetite e intestino preso.
  • Sede fora do comum e urina em excesso, porque o rim tenta eliminar o cálcio a mais.
  • Fraqueza, cansaço e dores musculares.
  • Confusão mental e sonolência e, em casos graves, alterações do ritmo do coração.

Os rins são o órgão que mais sofre. O cálcio em excesso pode formar cálculos (pedras), depositar-se no tecido renal (nefrocalcinose) e reduzir a função dos rins — às vezes de forma aguda, às vezes deixando dano que não volta. Como a vitamina D fica armazenada, o cálcio pode continuar alto por semanas depois de suspender o suplemento.

Os sintomas são inespecíficos: parecem cansaço, parecem "estômago", parecem idade. Quem toma vitamina D há muito tempo e apresenta esse quadro deve dizer isso ao médico, com o rótulo na mão.

Quem precisa de vitamina D — e quem não precisa suplementar?

A deficiência é real e comum em alguns grupos: quem toma pouco sol (ambiente fechado, roupas que cobrem a pele, inverno longo), quem passou dos 60 — a pele produz menos com a idade —, quem tem obesidade (a vitamina fica retida na gordura e circula menos), quem tem doenças que atrapalham a absorção (doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia bariátrica) e quem usa por longo prazo anticonvulsivantes ou corticoides. Nessas pessoas, a falta de vitamina D enfraquece o osso — osteomalácia (osso que amolece) e osteoporose (osso que perde massa e quebra com facilidade) — e o músculo, o que aumenta o risco de quedas e fraturas.

Do outro lado, a diretriz da Endocrine Society de 2024 (Demay e colaboradores) não recomenda dosar vitamina D de rotina, nem suplementar acima da necessidade diária, em adultos saudáveis sem fator de risco: as evidências não mostraram benefício claro nesse grupo. A mesma diretriz reconhece situações em que a suplementação faz sentido — entre elas, pessoas com 75 anos ou mais e adultos com pré-diabetes de alto risco — e mantém a regra: quem tem deficiência precisa ser tratado e acompanhado.

Em resumo: vitamina D não é "todo mundo deveria". É indicação individual.

Como saber a dose certa? O exame decide

O exame que orienta é a 25-hidroxivitamina D — a forma em que a vitamina circula no sangue e que reflete o estoque do corpo. Ele diz se falta, se está adequado ou se sobra. E a dose de correção não é a mesma para todos: depende do nível encontrado, do peso (quem tem mais gordura corporal costuma precisar de mais), da função dos rins, de outras condições — como hiperparatireoidismo e sarcoidose, em que o cálcio já tende a subir — e dos outros remédios, incluindo os diuréticos tiazídicos, que reduzem a eliminação de cálcio, e os suplementos de cálcio tomados junto.

Quem toma dose alta repete o exame — vitamina D e cálcio, às vezes também a função renal — em intervalos definidos pelo médico, para saber quando reduzir e quando parar. Isso vale ainda mais para quem tem doença renal, cálculo renal prévio ou usa cálcio junto. Quem toma por prescrição não muda a dose sozinho: leva o exame ao médico, que decide.

Excesso de vitamina D: o que levar à consulta

Se você toma vitamina D há meses e não sabe o resultado do último exame, o próximo passo é simples. Em casa: olhe o rótulo, anote a dose e há quanto tempo toma — e traga. Inclua polivitamínicos e cálcio na lista. É com o exame e o rótulo na mão que eu avalio o que entra, o que continua e o que sai da sua rotina. O excesso de vitamina D é evitável, e a falta tem tratamento — as duas decisões passam pelo mesmo número. O objetivo é chegar longe com osso firme, músculo que sustenta e rim preservado.

Se você toma vitamina D: qual foi o seu último resultado?

Dr. João Carlos Donadussi é médico cardiologista e nutrólogo em Cruz Alta – RS · CRM-RS 9610 · RQE 5209 (Cardiologia) · RQE 17353 (Nutrologia)

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