Conteúdo informativo · Atualizado em setembro de 2026
Como sair da pré-diabetes: na maioria dos casos, com peso, alimentação e movimento. Perder em torno de 5% a 7% do peso, caminhar cerca de 150 minutos por semana e retirar os carboidratos de absorção rápida escondidos nas bebidas e no pão. Não há garantia de o exame voltar à faixa normal, mas é a fase em que o cuidado mais compensa.
"Pré-diabético há cinco anos" não é um diagnóstico. É um aviso que está sendo ignorado. Muita gente ouve o "pré" e relaxa, como se fosse quase nada. Eu vejo o contrário: é a fase em que ainda é possível reverter a trajetória — e, com frequência, ninguém sentou com essa pessoa para explicar o que fazer.
Como sair da pré-diabetes começa por entender o número
Pré-diabetes, pelos critérios mais usados, é quando a glicemia de jejum — a concentração de glicose no sangue após pelo menos oito horas sem comer — fica entre 100 e 125 mg/dL, ou quando a hemoglobina glicada, que reflete a média da glicemia dos últimos três meses, fica entre 5,7% e 6,4%. Ainda não é diabetes, mas o pâncreas já trabalha mais do que deveria, e o coração já sente: a pressão arterial sobe junto, o LDL se altera, a gordura se acumula no abdome. Por isso eu, cardiologista, cuido disso. Glicemia, pressão arterial, perfil lipídico e composição corporal não são quatro problemas separados; são um sistema só.
Quase ninguém sente nada nessa fase. É por isso que ela passa cinco anos sem cuidado: o exame vem "um pouco alterado", a receita é renovada e a pessoa vai embora achando que está tudo bem. A cada ano o número sobe um pouco. Um dia vira diabetes, e aí a conversa é outra.
O que eu vejo dar certo
Os estudos que orientam a minha prática mostram que quem perde por volta de 5% a 7% do peso e caminha 150 minutos por semana reduz de forma importante a chance de evoluir para diabetes. Na prática, isso vira uma lista curta:
- Retirar as bebidas adoçadas: refrigerante, suco industrializado, bebida alcoólica diária, café muito adoçado. É o que mais mexe no exame e o que menos faz falta depois de duas semanas.
- Pão, bolacha, bolo e massa: metade da porção, e sempre com feijão, verdura ou proteína junto. O carboidrato sozinho é o que eleva a glicemia mais rápido.
- A ordem do prato: salada primeiro, depois a proteína, depois o arroz e o feijão. A glicemia costuma subir mais devagar.
- Caminhar trinta minutos na maioria dos dias, no ritmo de quem consegue conversar, e exercício de força duas vezes por semana. O músculo é o principal destino da glicose.
- Dormir. Quem dorme cinco horas tende a acordar com a glicemia mais alta e com mais fome.
- Medir a circunferência abdominal, não só o peso. A gordura abdominal é a que mais interfere na ação da insulina.
- Repetir o exame em três meses, para ver a direção, não só o número.
Existe tratamento medicamentoso para alguns casos, e quem decide é o médico, com o exame e a história na mão. O que não existe é medicamento que substitua as sete medidas acima. Quem já usa, soma; não troca.
Como a alimentação da casa costuma ser uma só, eu prefiro conversar com a família. Quem prepara precisa saber o que mudar e por quê; quem come precisa saber que não é castigo.
Como sair da pré-diabetes e ficar fora dela
O que eu vejo em décadas de consultório é que o exame que volta à faixa normal permanece normal enquanto a rotina se mantém. Quem volta ao pão com embutido e ao refrigerante do almoço vê o número voltar também. Por isso a pergunta certa não é "quanto tempo dura a dieta", e sim "o que eu consigo manter pelos próximos vinte anos". A resposta é sempre menor e mais simples do que a pessoa imagina: três ou quatro trocas, sustentadas.
É por isso que eu acompanho o que acontece entre uma consulta e outra, com a pessoa medindo peso, circunferência abdominal e pressão em casa e trazendo o registro. O número de um dia é um ponto solto; o que decide é a sequência, e é ela que eu leio na consulta de nutrologia.
Pergunta frequente: depois de cinco anos de pré-diabetes, ainda dá tempo?
Dá. Enquanto o exame não cruzou a linha do diabetes, o organismo ainda responde à mudança de peso, de alimentação e de rotina. Cinco anos de aviso ignorado não são cinco anos perdidos: são cinco anos em que o diabetes ainda não se estabeleceu, e isso é uma porta aberta. O que eu não posso prometer é que todo mundo volta à faixa normal. O que posso dizer é que a maioria evolui bem — é o que eu vejo — e que quem não volta ao normal costuma adiar o diabetes.
Como sair da pré-diabetes não é um mistério: é peso, alimentação, movimento e alguém lendo o número com você. É a fase em que o cuidado mais compensa, e é a que mais me alegra tratar, porque é onde ainda dá para mudar o fim da história.
Dr. João Carlos Donadussi é médico cardiologista e nutrólogo em Cruz Alta – RS · CRM-RS 9610 · RQE 5209 (Cardiologia) · RQE 17353 (Nutrologia)
Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica nem orienta mudanças de tratamento por conta própria.